Uê Puauet

 Uê é um multiartista, cineasta, dramaturgo, diretor teatral, fotógrafo, produtor cultural, arte-educador, pesquisador e griot. Há 23 anos desenvolve uma produção dedicada às narrativas negras, articulando cinema, teatro, fotografia, cultura popular e formação cultural como práticas de criação, memória e transformação social. É fundador da Iemojá Produções.
O NOME
Grande parte da produção artística foi realizada sob o nome Marcos Costa. A adoção do nome Uê Puauet representa um gesto político de decolonialidade, reafirmando uma identidade autoral comprometida com as matrizes culturais africanas e afro-brasileiras. A mudança de nome preserva integralmente a trajetória construída anteriormente, estabelecendo continuidade entre os dois momentos da obra.

POÉTICA
Minha criação parte da convicção de que toda imagem produz modos de ver, lembrar e imaginar o mundo. Durante muito tempo, as experiências negras foram reduzidas a narrativas incompletas, marcadas pelo apagamento ou pelo estereótipo. Meu trabalho nasce da necessidade de ampliar esse campo de representação, construindo imagens que afirmem a complexidade das memórias, das ancestralidades e das formas de existência afro diaspóricas.  Não compreendo o cinema, o teatro, a fotografia, a cultura popular ou a educação como linguagens isoladas. Cada uma delas é uma maneira de investigar a mesma pergunta: como a arte pode ampliar imaginários e transformar a relação que estabelecemos com a memória? Interessa-me uma criação que dialogue com a oralidade, o mito, a história e a experiência cotidiana, aproximando tradição e contemporaneidade sem reduzir uma à outra. Mais do que representar identidades, procuro criar espaços de encontro, onde diferentes tempos, vozes e saberes possam permanecer em movimento. Criar, para mim, é transformar a memória em presença e a imagem em possibilidade.


Prêmios e Reconhecimentos
2006 — Prêmio Myriam Muniz (FUNARTE) – Espetáculo Anastácia.
2008 — Honra ao Mérito do IPHAN pelo trabalho com o Congado e a preservação da cultura popular afro-brasileira.
2012 — Intercâmbio Cultural do Ministério da Cultura – Barcelona e Paris (Negras Faces em Fotos).
2023 — Mestre da Cultura de Londrina.
2025–2026 — Premiações e seleções recentes da Iemojá Produções (cinema e mercados audiovisuais).
2026 — Selecionado como Liderança Negra Latino-Americana  – Talento Visible III, promovida pela organização colombiana Manos Visibles e voltada ao fortalecimento financeiro de lideranças afrodescendentes e indígenas da América Latina.

Outras Informações no site pessoal através do link

https://marcoscosta.art.br/

Teatro
O teatro constitui a origem da trajetória artística de Uê Puauet. Desde 2003, desenvolve produções, espetáculos, dramaturgias e processos de formação que articulam arte, educação e narrativas negras. Sua pesquisa aproxima oralidade, memória, cultura afro-brasileira e história africana, compreendendo a cena como espaço de criação, reflexão e transformação social. Entre suas realizações estão projetos premiados, ações de formação de público e espetáculos que circularam por escolas, teatros e espaços culturais, reafirmando o teatro como linguagem de encontro, pertencimento e ampliação de imaginários. 
*Ao lado o espetáculo Piérre Miguel contando a história de Benjamim de Oliveira para 11.000 crianças do ensino fundamental 1 (2003)

Fotografia
A fotografia constitui um campo de investigação sobre imagem, representação e memória na trajetória de Uê Puauet. Seus ensaios e exposições buscam ampliar a presença de corpos, histórias e imaginários negros, tensionando estereótipos e propondo novas formas de visibilidade. Entre pesquisa, criação artística e mediação cultural, desenvolve projetos que articulam fotografia, educação e reflexão crítica, compreendendo a imagem como linguagem capaz de preservar memórias, fortalecer identidades e ampliar o olhar sobre as experiências africanas e afro-brasileiras.

*Exposição Negras Faces em Fotos 2012 e 2013 + Palestras - Barcelona, Paris, 25 Escolas em Londrina, Colégios de Cambé, Rolândia e Astorga

Congado e Cirandas
Há 20 anos, Uê Puauet desenvolve uma pesquisa continuada sobre o Congado, as Cirandas, a música percussiva afro-brasileira e a tradição de Chico Rei como práticas de criação, transmissão de memória e formação cultural. Integrando oralidade, música, dança e ancestralidade, seus projetos aproximam arte e educação para preservar e difundir narrativas afro-brasileiras, fortalecendo o pertencimento e a valorização das tradições populares como patrimônios vivos. Essa trajetória foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) por sua contribuição à valorização e difusão do Congado.

Artes Visuais e Curadoria
As artes visuais constituem um espaço de experimentação estética e investigação sobre imagem, memória e identidade na trajetória de Uê Puauet. Sua produção reúne desenho, pintura, escultura, arte digital e fotografia, desenvolvendo pesquisas que, nos últimos anos, têm se dedicado às mulheres africanas como símbolos de ancestralidade, força e permanência cultural. Além da produção autoral, atuou na concepção, produção e direção da Primeira Mostra de Arte Contemporânea de Londrina e do Prêmio Londrina de Arte Contemporânea, iniciativas voltadas à valorização da criação artística e ao fortalecimento da cena cultural local. Entre criação e curadoria, sua atuação compreende as artes visuais como espaço de pesquisa, invenção e ampliação de imaginários.